Apresentação do MHEC

Fruto do trabalho de diversos Grupos de Pesquisa da Universidade Federal de Rondônia, dotados cada qual de variados Projetos, concluídos alguns e em curso outros, direcionados ao mapeamento de espaços intelectivos da Amazônia, sobretudo, esta Proposta conquistou maior unidade graças ao entendimento de docentes do Departamento de História, orientados a criar este Curso de Pós-graduação stricto sensu, em nível de mestrado, porquanto congrega diferenciadas pesquisas.

Assim, o presente Programa tem como proposta essencial preencher uma lacuna que se relaciona com a ausência – tanto em Rondônia como na região Norte – de espaço de estudos de pós-graduação no nível de mestrado, voltada para a análise da historicidade cultural enquanto aspecto transversal, capaz de instaurar trocas teóricas e metodológicas entre disciplinas de diferenciadas áreas do conhecimento. Neste sentido, nossa proposta de Mestrado em História e Estudos Culturais se diferencia de programas de Pós-graduação stricto sensu, na área de História, por termos por objetivo fundamental a análise dos significados culturalmente constituídos, tanto na escrita de determinados objetos sócio-históricos como também na análise dos significados culturalmente constituídos na própria concretude destes mesmos objetos.

Diferencia-se, por outro lado, dos demais Programas de Pós-Graduação da UNIR porque aqui neste tratamos de modo mais específico de temas de Cultura e de História, assim nucleados metodologicamente. Numa proposta como a vertente, em História e Estudos Culturais, a meta objetivada é bem outra: prende-se a referenciais ancorados na sociedade como tal, marcada pela característica ambiental amazônida e amazônica, uma entidade ontológica capaz de referendar uma perspectiva menos livresca e mais experienciada.

Dessa forma, a nossa proposta surge tendo como objetivo principal contribuir, no contexto da Região, com a efetivação de estudos de alto nível que admita como área de concentração a Cultura suportada pela História. A Cultura entendida, por um lado, como elemento fundante ou socialmente compartilhado nas abordagens da escrita histórica, sociológica, literária, linguística, geográfica e da comunicação sobre determinados objetos sociais. Por outro lado, Cultura entendida como elemento fundante da própria concreticidade de determinados objetos, pretendendo perceber a forma e o sentido como discursos e objetos culturais circulam em meio aos indivíduos, grupos, comunidades, classes das várias Amazônias. Tudo isso, em termos da cultura popular ou da erudita, que estiver em perspectiva, como também em relação às manifestações artísticas particulares diversas, engendradas nos espaços do poder, da educação, do trabalho, da religião, da saúde etc.

Entende-se, de uma forma geral, aqui, o conceito de Cultura como fenômeno instaurador de estruturas de convenções, esquemas e estereótipos passíveis de estar presentes nas diferenciadas práticas e representações sociais. Não se pode deixar de mencionar, entretanto, que o antigo anseio da estruturação de um mestrado acadêmico, por parte do Departamento de História, nunca deixou de representar também as expectativas dos alunos do Curso de Graduação de História e diversas especializações lato-sensu, sobretudo expectativa dos egressos, muitos hoje atuando como professores da rede pública de ensino do Estado sem outra miragem que contemple um futuro de aprimoramento e de descoberta do seu entorno.

Essa expectativa que também se transfere para os novos candidatos a alunos nos exames de vestibular ou mesmo pela via do sistema ENEM / SISU, que mais ainda verticaliza o acesso às vagas da graduação – igualmente esperanças de trabalhos de alunos e de ex-alunos dos cursos de Letras, de Educação, de Ciências Sociais, de Filosofia, os quais atuando também no ensino público, não possuem condições de cursarem em outros Estados da Federação um mestrado acadêmico que permita lhes reverter melhor formação, e ainda possibilidade de melhoria em suas condições de salário e trabalho.

Outros egressos em geral pouco afeitos ao aprofundamento nas suas próprias áreas –das Ciências Sociais Aplicadas–, poderão ser alcançados porque já trabalham nos Grupos de Pesquisa de Ciências Humanas, tais como estudiosos da Administração (Quem desconhece os estudos de Cultura na área da Administração?), Direito, Biblioteconomia ou de Economia (ninguém mais desdenha da força do imperativo cultural para o desenvolvimento socioeconômico). A ausência, até o presente dia, de cursos de mestrado como o que se apresenta nesta Proposta não só prejudica a formação de quadros de alto nível na sociedade do conhecimento a par com o melhor do Sul do País, como também esvazia de pessoal qualificado para o ensino superior, e ainda prejudica ampliar as possibilidades de melhoria do sistema de ensino público nos níveis fundamental e médio, em nosso Estado, hoje muito carente e por demais deficitário.

Dessa forma, a presença de Mestrados novos e plurais como este em História e Estudos Culturais contribui com a formação de pessoal qualificado, massa crítica não só para o ensino e a pesquisa universitária, mas também para o processo de melhoramento do ensino público. A criação do Mestrado Acadêmico em História e Estudos Culturais se encontra em um contexto em que não só os professores participantes dos sete Departamentos envolvidos entendem a importância que a pesquisa e o ensino podem ter para o desenvolvimento de Estados amazônicos de alta imigração, como Rondônia, que sofrem com a falta de uma massa crítica necessária à melhoria das suas condições de desenvolvimento nas diversas áreas do conhecimento. Este fato se reflete em muito no ensino público, um contexto em que o próprio Estado passa a perceber com o envio recente de projeto para a criação de uma Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Rondônia – um dos últimos Estados do País, atrasado no assunto, após vinte anos de luta por parte da comunidade científica local, sobretudo trabalhado no seio do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap).

Este Mestrado Acadêmico em História e Estudos Culturais pode, assim, ser caracterizado tanto por um marcado cunho Multidisciplinar, devido à formação em áreas histórico-culturais dos professores que configuram o Programa, orientando-se todos neste momento a um sentido em uníssono, como também configura-se como um grupo interessado no desenvolvimento sociocultural do espaço amazônico.

Defendeu um presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Marco Antônio Raupp, nestes termos: “A ciência é fundamental no processo de desenvolvimento da região e tem que ser feita por pessoas daqui”, no encerramento da 61.ª Reunião anual da entidade, declarando a Amazônia como prioridade para a pesquisa no país.

Na continuidade da verificação da harmonização dessa proposta, percebemos haver a possibilidade, por sua vez, de um engate interdisciplinar em Estudos Culturais, a partir das pesquisas realizadas por docentes formados respectivamente em Filologia Inglesa, Geografia, Ciências da Comunicação e Educação para a Saúde, e que giram em torno respectivamente do problema dos empréstimos sociais entre língua e cultura; a informação como forma de construção de representações culturais na Amazônia; o problema da desintegração das várias culturas amazônicas a partir das análises das densidades Sócio-Espaciais e seus Tempos Específicos; o problema da saúde em povos da floresta, adotado pelo ponto de vista cultural; objetos, enfim, que deverão ser apreendidos como representações de paisagens subjetivas e sociais sobre as várias Amazônias em perspectiva.

©CopyRight 2012 - Portal Institucional - Todos os Direitos reservados